Concertos do Chão#1 | Druuna Jaguar | José Alberto Gomes | Lombo [imagens em movimento]

Este evento terminou!

Concertos do Chão#1 | Druuna Jaguar | José Alberto Gomes | Lombo [imagens em movimento]

Evento por: Nariz Entupido

Localização: Escola do Largo, Largo do Chiado 15, Lisboa

Shows

Sobre o evento

No hemisfério dos paradoxos.

‘O escravo moribundo’, que serve de imagem para o recente álbum de Druuna Jaguar – ‘En Transi’ [Variz . 2024]. ‘O escravo moribundo’, estátua de Miguel Ângelo, que na descrição de Jorge Mantas nome por detrás de Druuna Jaguar, ‘é capaz de transmitir uma estranha energia sexual na sua posse luxuriante’ e que, ao mesmo tempo, é invocada sonoramente num estado de trance musical.

E ‘Música para Teatro 2009 – 2022’ de José Alberto Gomes, editado este ano pela Wasser Bassin. Uma pequeníssima antologia da vasta obra para teatro do músico portuense. A não conformidade de um corpo sonoro, a beleza intrínseca das descontinuidades de um tempo que passa – o real e o encenado e nunca por esta ordem ou a sua inversa.

O paradoxal na insistência em se organizar concertos. O paradoxo de se juntarem diferentes associações. O paradoxo na teimosia de se querer ouvir música ao vivo. Contemplação – introspecção.


JOSÉ ALBERTO GOMES | Músico, artista sonoro e investigador. Licenciado em Composição, criou laços com as novas possibilidades tecnológicas tendo especial interesse em procurar novas formas e novos ‘lugares’ musicais e sonoros. Doutorado em Computer Music é docente na Escola das Artes da UCP, coordenador do Doutoramento em Ciência e Tecnologia das Artes e investigador no CITAR. É co-diretor artístico do Supernova Ensemble, colectivo artístico residente na Associação Cultural Circular.

Entre 2013 e 2018 foi curador da plataforma Digitópia Casa da Música e entre 2018 e 2019 foi coordenador do Serviço Educativo Braga Media Arts - cidade criativa UNESCO.

Mantém uma actividade próxima com a música enquanto performer, compositor e artista sonoro tendo apresentado e colaborado com instituições e agrupamentos como Remix Ensemble Casa da Música, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro Nacional Dona Maria II, FITEI, Journées Européennes du Patrimoine, Fundação de Serralves, Internationale Filmfestspiele Berlin, Teatro Oficina, TEP, Sonoscopia, Walk&Talk, Hong Kong New Music Ensemble, Teatro da Comuna, Teatro Oficina, Centro Dramático Nacional de Madrid, Ballet Teatro, entre outros.

Apresenta-se regularmente em projectos a solo, colectivos ou em parcerias (BlacKoyote, Supernova Ensemble, Srosh Ensemble, Hans-Joachim Roedelius, Gustavo Costa, Ricardo Jacinto, Henrique Portovedo, Jon Rose, João Tiago Dias, Joana Gama e Luís Fernandes, Diogo Tudela), nas áreas de música e sonoplastia para peças de teatro e dança, (Cáligula Murió. Yo no - Marco Paiva; Cadernos de - Raquel S; Cidade Domingo - Jacinto Lucas Pires e João Henriques; Prometeu - Marcelo LaFontana; Revoluções - Né Barros) vídeo e cinema, (Chimaera 2020 - Miguel C. Tavares, O Último Banho - David Bonneville, Money Honey - Isaac Knights-Washbourn, Adagiário ou Formas de Falar com Pássaros - Alexandre Delmar), como criador de instalações sonoras (And it Keeps Going or the Never-ending song of life - i3S/Ectopia, A Perpetuação do tempo sob o presente - Journées Européennes du Patrimoine; Re-Interpretação Urbana - Fundação de Serralves, Substantive Derivative - Emiliano Zelada/Ingresso Pericoloso) e como compositor para electrónica e ensemble instrumental, (Remix Ensemble,Drumming, Nuno Aroso, João Dias, Henrique Portovedo, FactorE, Srosh Ensemble, Orquestra Estúdio, Ensemble Med).

jasg.net | instagram.com/jasgomes | josalbertogomes.bandcamp.com


JORGE MANTAS (n. 28/09/1972) | Nascido em Évora, em 1972, dedicou-se desde o início dos anos 1990 à divulgação das denominadas “músicas em vias de exceção”, através de vários programas de rádio e das fanzines “Neural Therapy” e “psico.acústica”.

Sem formação musical académica, mas com muitos anos de investigação e escuta atenta, iniciou as suas primeiras experiências musicais em 2005 com o projeto de música ambiental electrónica The Beautiful Schizophonic, explorando em profundidade as propriedades afetivas do som através de longos movimentos atmosféricos. Lançou mais de uma dezena de álbuns em editoras dos EUA, Japão, França e Portugal, dos quais se destacam «Musicamorosa» (CD Crónica, 2007), «Erotikon» (CD Crónica, 2009), «Belkiss» (CD Dynamophone, 2012) e «L’Atelier des filles» (CD Anywave, 2016). Compôs, ainda, música para bandas sonoras de curtas metragens, criou instalações áudio-visuais, e atuou ao vivo, em festivais e a solo, em Londres (ICA), Paris (Galerie CrèveCoeur), Toulouse (Théâtre Garonne) e, em Portugal, na Casa da Música, Mosteiro de São Bento da Vitória, Lx Factory, Teatro Ibérico, Teatro Maria Matos, Igreja de S. Vicente, Cinema Passos Manuel, entre outros locais.

Com o projeto Druuna Jaguar, fundado em 2017, a orientação estética mudou radicalmente ao incorporar na sua linguagem musical elementos de ruído mais visceral, mas também da música concreta, nunca abandonando de todo o seu fascínio pelos drones mercuriais. Depois de um par de cassetes lançadas (e rapidamente esgotadas) na própria editora, Atelier 5-7-5, que incluem uma compilação internacional e splits com eminências do noise como Vomir e Torturing Nurse, Druuna Jaguar deslocou-se para zonas mais depuradas e sombrias do som, deixando a sua impressão magnética nos registos «Musa Utópica» (CD Variz, 2020), «Memória Aumentada» (Cassete Robert & Leopold, 2020), «Eterno Retorno» (Cassete Robert & Leopold, 2022), e «En Transi» (LP Variz, 2024). No atual desiderato musical, propõe uma atmosfera espectral baseada no seu fascínio por drones de órgão eléctrico, em técnicas extensivas para instrumentos acústicos (trompete, trombone tenor, violoncelo, violino, entre outros) com recurso a computador, e na expansão das possibilidades sonoras do sintetizador modular, com particular foco na escala cromática e em técnicas como a síntese granular, autorregressiva e generativa. Música litúrgica para sintetizador modular e computador?

Entre 2019 e 2020 foi programador do Serial – Festival Internacional de Música Exploratória de Évora – tendo convidado alguns dos mais reputados nomes da cena musical eletrónica e experimental para os palcos Eborenses.

druunajaguar.bandcamp.com/album/en-transi-for-hammond-organ-arp-2600-synthesizer-and-cello | druuna-jaguar.bandcamp.com/album/mem-ria-aumentada | druuna-jaguar.bandcamp.com/album/eterno-retorno | druunajaguar.bandcamp.com/album/musa-ut-pica

Sobre o álbum “En Transi” (Flur, setembro 2024):
«Sem fazer discos ao acaso e sempre com objectos de estudo em mente, Druuna Jaguar é um dos maiores enigmas musicais de Portugal. Cada disco é uma vontade manifesta de agarrar um momento, ultimamente sempre pela via do som contínuo, como drones, reverberados e arrastados até à sua exaustão, testando a atenção do ouvinte mais desregrado - há sempre essa ilusão de que nada (ou pouco) muda, mas é nas pequenas nuances deste som que se distinguem os verdadeiros movimentos dos falsos. Druuna Jaguar, numa das suas mais recentes edições, sob o título "Musa Utópica", pretendeu ilustrar a sedução feminina, a força do desejo e do seu objecto, a inspiração sem clímax em vista. "En Transi" parece mais um retrato da frustração que advém dessa intangibilidade. Porém, tudo passa. No lado A, "Post Coitum Omne Animalium Triste Est" esconde a vulgaridade do coito no latim e num drone tímido que se vai revelando e abrindo, com bordas ásperas, com suspensão insistente e sem grande preocupação quanto ao nosso desconforto - a natureza, e o que é natural, são muitas vezes desconfortáveis. Os tons multiplicam-se, tal e qual uma abertura de canais de luz num túnel umbroso. A meio do percurso, o drone vibra vagarosamente, qual sensação do simulacro do terramoto a abalar as nossas quatro paredes - até que irrompe uma nota grave, retumbante, o obstáculo definitivo da nossa transição para um segundo estágio. Pelo lado B, Druuna Jaguar recorre ao drone de um violoncelo (ou o rizoma de um) para ilustrar a morte e outros elementos de carácter mais lúgubre. "In Umbra Mortis" mostra os harmónicos naturais deste instrumento numa reverberação prolongada, revelando luz, cor e esperança, mantendo os olhos do ouvinte na mira do chão e num acto de respeito e reverência contemplativa. "Adverso Infracto" revela síntese generativa numa aleatoriedade controlada, com uma nota grave suspensa por trás dessa confusão electrónica a ancorar o tom do tema lá no fundo. No fim do disco, "Saturata Dolorem" apresenta de novo um drone agudo e áspero, como uma incisão de uma faca fria, fazendo jus ao título da música. “En Transi” não foge à verdade e apresenta um mundo que é próximo de todos aqueles que vivem e respiram - é nos temas mais mundanos que se encontram as maiores verdades. Tal como a capa que o representa, a música ilustra o momento em que a vida começa a desaparecer do corpo vigente, com a sensação diáfana do ar que nos toca nas pontas dos dedos, qual Escravo Moribundo a encontrar na hora da morte o seu tão aguardado clímax.»


Lombo [imagens em movimento]
Tensão entre o analógico e o digital, onde as fronteiras reais e virtuais se tornam líquidas e maleáveis. Trabalha com sistemas de vigilância em tempo real, utilizando câmaras de multi-canal, câmaras de cassetes e outros objetos eletrónicos descartados, que testemunham o erro e a imperfeição como elementos estéticos. Através do confronto entre imagens distorcidas e da manipulação de sistemas que são simultaneamente obsoletos e de vanguarda, investiga os limites de categorias como live-cinema, videoarte, video-performance e vjing. Busca, assim, não apenas a construção de experiências imersivas, mas a criação de um espaço onde a desordem e a incerteza se tornam fundamentais para a experiência estética.

O seu trabalho propõe uma reflexão sobre o conflito entre a precisão da máquina e o erro humano, desafiando a noção de perfeição que predomina no consumo contemporâneo de mídia digital. O seu processo criativo funciona como uma metáfora da desconstrução, onde o objeto visual se dissolve para revelar os mecanismos invisíveis que o sustentam.

vimeo.com/user38632696 | instagram.com/___lombo


Entrada | 07 euros [à porta no dia do concerto]

Fonte original do evento

Loading…