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Evento por: Galeria Zé dos Bois
Localização: Zé dos Bois gallery, Rua da Barroca 59, Lisboa
Sobre o evento
Entrada: 12€
Ingressos disponíveis em: https://zedosbois.bol.pt/
Rabit
Das táticas grime ao formato de pura inquisição sonora, o texano Eric C. Burton tem dado provas mais que suficientes de um valor inestimável para muito da música contemporânea que nos chegou. É sob o manto enigmático de Rabit que suas produções atraíram admiração generalizada, inclusive da sempre atenta Bjork. Já perto de uma década de edições, o admirável arquivo por ele alimentado não cessa de espantar; onde outros buscam encontrar um espaço seguro para desenvolver um léxico, Rabit prefere evitar esse espaço de antemão – em vez disso, percorrendo a área circundante com uma curiosidade eterna em torno da nuance. Sabendo que é nas bordas onde se move, não será de se estranhar as infusões com outros artistas multimídia, num claro compartilhamento de visão comum em adulterar o estado natural das coisas. Seja na pele de criador, seja na posição de editor (através de sua Halcyon Veil), Burton reúne cérebro, carne viva e muito nervo. Num campeonato musical tão vasto e fervilhante, de nomes emergentes e retornos inesperados, estamos diante de um exemplo de militância salutar para com a arte em si. Faz, afinal, da ambiguidade seu maior trunfo.
Usando uma gama afiada de ferramentas personalizadas e softwares de música generativa, são poucos os que conseguem extrair da eletrônica uma expressão tão vívida, quase que com vida própria . Com a estreia de Communion ganhou status de culto ao longo dos últimos anos, embutindo alguns dos melhores materiais que a Tri Angle ofereceu durante sua saudosa existência. Mas da violência e da tensão, Rabit soube encontrar essas zonas limiares, recônditas e ainda em modo bruto, para fantásticos mundos artificiais como Les Fleurs du Mal ou What Dreams May Come. Instintos melódicos e convulsões emocionais se alinham com um surrealismo digital de assinatura. E ao contrário do que se poderia pensar, nada disso é escapista; “The people running this country right now are truly the lowest level human beings – monsters… I wanted to make a work that had that level of decay”. A intenção foi expressa em entrevista à publicação Dazed – e francamente não poderia ser mais fiel. Espelho do clima de convulsão e abismo que nos atormenta, nos lembra também do intenso poder da criatividade. O desmonte de ideias para criar as nossas e, acima de tudo, ir contra a corrente. Seja ela qual for. NA
Ingressos disponíveis em: https://zedosbois.bol.pt/
Rabit
Das táticas grime ao formato de pura inquisição sonora, o texano Eric C. Burton tem dado provas mais que suficientes de um valor inestimável para muito da música contemporânea que nos chegou. É sob o manto enigmático de Rabit que suas produções atraíram admiração generalizada, inclusive da sempre atenta Bjork. Já perto de uma década de edições, o admirável arquivo por ele alimentado não cessa de espantar; onde outros buscam encontrar um espaço seguro para desenvolver um léxico, Rabit prefere evitar esse espaço de antemão – em vez disso, percorrendo a área circundante com uma curiosidade eterna em torno da nuance. Sabendo que é nas bordas onde se move, não será de se estranhar as infusões com outros artistas multimídia, num claro compartilhamento de visão comum em adulterar o estado natural das coisas. Seja na pele de criador, seja na posição de editor (através de sua Halcyon Veil), Burton reúne cérebro, carne viva e muito nervo. Num campeonato musical tão vasto e fervilhante, de nomes emergentes e retornos inesperados, estamos diante de um exemplo de militância salutar para com a arte em si. Faz, afinal, da ambiguidade seu maior trunfo.
Usando uma gama afiada de ferramentas personalizadas e softwares de música generativa, são poucos os que conseguem extrair da eletrônica uma expressão tão vívida, quase que com vida própria . Com a estreia de Communion ganhou status de culto ao longo dos últimos anos, embutindo alguns dos melhores materiais que a Tri Angle ofereceu durante sua saudosa existência. Mas da violência e da tensão, Rabit soube encontrar essas zonas limiares, recônditas e ainda em modo bruto, para fantásticos mundos artificiais como Les Fleurs du Mal ou What Dreams May Come. Instintos melódicos e convulsões emocionais se alinham com um surrealismo digital de assinatura. E ao contrário do que se poderia pensar, nada disso é escapista; “The people running this country right now are truly the lowest level human beings – monsters… I wanted to make a work that had that level of decay”. A intenção foi expressa em entrevista à publicação Dazed – e francamente não poderia ser mais fiel. Espelho do clima de convulsão e abismo que nos atormenta, nos lembra também do intenso poder da criatividade. O desmonte de ideias para criar as nossas e, acima de tudo, ir contra a corrente. Seja ela qual for. NA